{"id":5336,"date":"2025-03-07T13:27:58","date_gmt":"2025-03-07T13:27:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/?p=5336"},"modified":"2025-03-07T18:42:14","modified_gmt":"2025-03-07T18:42:14","slug":"raivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/index.php\/2025\/03\/07\/raivas\/","title":{"rendered":"Raivas"},"content":{"rendered":"\n<p>Raiva! Algo que esquenta por dentro do corpo. Uma sensa\u00e7\u00e3o ruim como se um vulc\u00e3o estivesse prestes a entrar em erup\u00e7\u00e3o. O c\u00e9rebro se afasta por instantes e os olhos n\u00e3o enxergam nada al\u00e9m da tentativa de expulsar aquilo que est\u00e1 incomodando. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil prever quando a raiva ir\u00e1 irromper\u00e1.  Pode ser um inesperado trope\u00e7\u00e3o na beirada da cama, um susto, uma atendente mal-humorada, uma liga\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a errada&#8230; in\u00fameras possibilidades.  <\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco sabemos o que fazer para impedir que a raiva aflore, j\u00e1 que basta uma fra\u00e7\u00e3o de segundo para isso acontecer. Da mesma forma, n\u00e3o sabemos como lidar com ela quando j\u00e1 est\u00e1 instalada, muito menos prever suas consequ\u00eancias&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Saber quando e como usar a raiva e, mais ainda, como cont\u00ea-la, saber distinguir quando ela serve para nos libertar de um sofrimento, quando ela pode nos trazer mais problemas, quando ela condena a alma, quando ela remove ou gera uma injusti\u00e7a, quando ela pode nos adoecer e, finalmente, quando ela nos cura de um ressentimento, num desabafo&#8230; \u00e9 um quebra-cabe\u00e7a gigante, cujas pe\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o min\u00fasculas que mal as conseguimos enxergar, quanto mais completar o jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fato \u00e9 que a raiva aparece sempre quando estamos diante de uma injusti\u00e7a. O \u00fanico problema \u00e9 que o parece justo para um pode n\u00e3o ser para o outro. Por isso, para facilitar, foram criadas normas, padr\u00f5es de conduta, leis, regulamentos e, de quebra, psicoterapias para tratar daqueles que, mesmo assim, n\u00e3o conseguem, mas precisam, controlar a raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo esse conjunto de normas e leis serve para nortear um caminho aceito pela sociedade como padr\u00e3o civilizat\u00f3rio e que nos impede de sair por a\u00ed soltando a &#8216;louca&#8217; a qualquer hora, e de qualquer jeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, porque h\u00e1 jeitos e jeitos, dependendo da &#8216;qualidade&#8217; da raiva&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva selvagem, despudorada, desbocada, escandalosa, associada a uma neurose em alto grau. Para a psican\u00e1lise, nessa raiva hist\u00e9rica (quando n\u00e3o patol\u00f3gica) podem estar contidas in\u00fameras perdas, ang\u00fastias e frustra\u00e7\u00f5es acumuladas desde o nascimento e que segue vida afora repleta de outros empecilhos nos desviando quase sempre de nossos mais \u00edntimos e puros sonhos e desejos&#8230; Enfim, uma sucess\u00e3o de fatos acumulados at\u00e9 que a tranca da caixa de pandora se rompe e, dali, emerge o caos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva psicop\u00e1tica, vingativa, estrat\u00e9gica, manipuladora e fria, que mente, articula e desfaz o outro de tal forma que este s\u00f3 percebe a raiva quando j\u00e1 est\u00e1 destru\u00eddo e perdeu todos os amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva emp\u00e1tica, humanit\u00e1ria, que, ao mesmo tempo em que pode irromper em sua pr\u00f3pria defesa, antes pondera o porqu\u00ea de o outro agir daquele jeito. Analisa as possibilidades de aquela pessoa estar passando por alguma situa\u00e7\u00e3o de perda ou frustra\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s expectativas que tinha sobre determinada situa\u00e7\u00e3o. Procura o di\u00e1logo antes da a\u00e7\u00e3o que, claro, se n\u00e3o tiver jeito, pode aflorar, mas, normalmente, acaba por se esgotar com o ant\u00eddoto. Esse tipo de raiva certamente garantir\u00e1 ao seu portador uma boa posi\u00e7\u00e3o no time dos bem-aventurados e mansos, com entrada livre no reino dos c\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva psicop\u00e1tica, vingativa, estrat\u00e9gica, manipuladora e fria que mente, articula, desfaz o outro de tal forma que este s\u00f3 se d\u00e1 conta e percebe a raiva quando j\u00e1 est\u00e1 destru\u00eddo e perdeu todos os amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva emp\u00e1tica, humanit\u00e1ria, que ao mesmo tempo que pode irromper em sua pr\u00f3pria defesa antes pondera o porqu\u00ea do outro agir daquele jeito. Analisa as possibilidades de aquela pessoa estar passando por alguma situa\u00e7\u00e3o de perda ou frustra\u00e7\u00e3o quanto as expectativas que tinha sobre aquela situa\u00e7\u00e3o. Procura o di\u00e1logo antes da a\u00e7\u00e3o que, claro, se n\u00e3o tiver jeito, pode aflorar, mas, normalmente, acaba por se esgotar com o ant\u00eddoto. Esse tipo de raiva poder\u00e1 certamente garantir ao seu portador uma boa posi\u00e7\u00e3o no time dos bem-aventurados-e-mansos com entrada livre no reino dos c\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva orgulhosa que n\u00e3o quer dar o gostinho de o outro saber que algum dia sofreu por sua causa. Soberba, n\u00e3o sublima, apenas se controla, mesmo que esteja corroendo o c\u00e9rebro que est\u00e1 em guerra entre ax\u00f4nios e dentritos, mas mant\u00e9m uma postura opaca, nada transparente, s\u00f3 para n\u00e3o demonstrar fraqueza ou dor.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva s\u00e1bia, aquela que mede di\u00e2metro, raio e circunfer\u00eancia e se o tiro servir\u00e1 para alguma coisa ou ser\u00e1 perda de tempo. Faz a conta pela f\u00f3rmula: custo x benef\u00edcio, tira a m\u00e9dia e, quando age, procura se amparar na lei e nos seus direitos, usando normalmente a justi\u00e7a como intermedi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a raiva coletiva, que s\u00f3 aparece quando est\u00e1 em companhia, de prefer\u00eancia em grupo, ou seja, ela s\u00f3 irrompe quando algu\u00e9m risca o f\u00f3sforo, incita, porque por conta propria passaria em branco. O importante aqui \u00e9 a algazzara social, fazer barulho, usar roj\u00e3o e at\u00e9 pneu.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, h\u00e1 a n\u00e3o-raiva&#8230; quando o ser, apesar de respirar, comer, dormir e caminhar, n\u00e3o sente mais puls\u00e3o alguma e o sangue parece n\u00e3o mais correr nas veias. Espera a morte como chance de a vida se autoesgotar. Enquanto isto n\u00e3o acontece, ele passa ali, ao lado, inconsciente, escondido, como aquela pelanca que n\u00e3o pode ser engolida em jantar de ricos, amortecida na boca, amargando no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma coisa \u00e9 certa, se a raiva existe,<\/p>\n\n\n\n<p>h\u00e1 uma raz\u00e3o para isso<\/p>\n\n\n\n<p>Prova \u00e9 que at\u00e9 Cristo a experimentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Kawer<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raiva! Algo que esquenta por dentro do corpo. Uma sensa\u00e7\u00e3o ruim como se um vulc\u00e3o estivesse prestes a entrar em erup\u00e7\u00e3o. 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