{"id":5787,"date":"2025-10-17T20:45:46","date_gmt":"2025-10-17T20:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/?p=5787"},"modified":"2025-10-26T14:15:32","modified_gmt":"2025-10-26T14:15:32","slug":"reflexao-e-terapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/index.php\/2025\/10\/17\/reflexao-e-terapia\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o e Terapia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Cap\u00edtulo 1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c- Isso, para mim, vem l\u00e1 de tr\u00e1s, de um outro tempo&#8230;sim, vem de l\u00e1, a origem disso tudo. Por isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ir para frente. Precisamos de sinaliza\u00e7\u00f5es, bengalas o tempo todo. Talvez, se pud\u00e9ssemos inverter a l\u00f3gica desse sistema, ter\u00edamos uma explica\u00e7\u00e3o mais racional, concreta, cient\u00edfica e conseguir\u00edamos entender o percurso da vida da gente. Sinto que a vida tenta, o tempo todo, nos explicar algo, mas n\u00e3o consegue. H\u00e1 uma falha qualquer nesse sistema, porque n\u00e3o conseguimos desvendar o que h\u00e1 por tr\u00e1s disso tudo. H\u00e1 v\u00e1rias teorias religiosas, exot\u00e9ricas, mas parecem todas muito simplistas, uma delas \u00e9 de que a vida \u00e9 uma esp\u00e9cie de escola, que quando n\u00e3o passamos de ano, voltamos, vezes sem fim, reprovados, tendo que recome\u00e7ar tudo de novo, desde o b\u00ea-\u00e1-b\u00e1. Se assim for, eu n\u00e3o a chamaria de escola. Como poderia ser? N\u00e3o h\u00e1 um professor competente, um bom livro did\u00e1tico, com explica\u00e7\u00f5es, exerc\u00edcios&#8230;. Como querem que aprendamos algo? Depois, quando voltamos, reprovados, ainda nos apagam a mem\u00f3ria! Mais me parece que a vida seja apenas uma prova, muito dura por sinal, porque n\u00e3o nos explicaram nada da mat\u00e9ria e querem que nos saiamos bem. A \u00fanica vantagem que nos d\u00e3o \u00e9 que ela \u00e9 de m\u00faltipla escolha, chamam a isso de livre arb\u00edtrio, e o que temos para ganhar \u00e9 jogarmos apenas com a sorte. E talvez nem prova seja, diria que \u00e9 mais um teste. A\u00ed sim, talvez a\u00ed, podemos arriscar uma l\u00f3gica. O indiv\u00edduo vem com uma combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica X e recursos neurol\u00f3gicos, biol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos x+p+t+o, em contato com reagentes qu\u00edmicos de outras combina\u00e7\u00f5es, que chamaremos de fam\u00edlia e \u00e9 colocado na experi\u00eancia energ\u00e9tica gama, para depois experimentar passar por outras combina\u00e7\u00f5es na energia \u00f4mega e terminar com alfa. A\u00ed, vamos ver o que vai dar: &#8230;hum, este at\u00e9 que vive relativamente bem nessas condi\u00e7\u00f5es e clima, esse outro, coitado, j\u00e1 acho que n\u00e3o sobrevive. Um roteiro \u00e0s cegas. Um injusto teste laboratorial. O pr\u00f3prio tempo que nos d\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 nada. Passa r\u00e1pido demais. Quando come\u00e7amos a pensar que estamos come\u00e7ando a entender alguma coisa, ter alguma expertise em algo estamos \u00e0 porta da velhice. As chances de acertar algo j\u00e1 est\u00e3o t\u00e3o limitadas pelo enfraquecimento de todos nossos \u00f3rg\u00e3os e recursos, que muitas vezes nem sempre poder\u00e3o corresponder ao que (achamos que) come\u00e7amos a entender&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz sentada na cadeira, em frente \u00e0 escrivaninha, ia fazendo suas breves reflex\u00f5es, que propriamente hoje as pegou de mal jeito, pois elas se recusavam a serem otimistas (como costumavam ser na maioria das vezes), mas que nos \u00faltimos dias, muito pelo contr\u00e1rio, andavam um tanto perdidas, desprovidas de respostas, muito menos, solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Podia-se entender que, chegando a idade dos sessenta, nada lhe parecia mais poss\u00edvel de prever, planejar ou projetar a m\u00e9dio e longo prazo. Caminhava agora \u00e0 passos mais curtos, sem planos que iam al\u00e9m dos anuais. Planos esses quadrados, recheados apenas de pequenas e mon\u00f3tonas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele quarto, o mesmo de quando era solteira e que morou at\u00e9 os vinte e um anos, idade em que se casou, Beatriz se perguntava o porqu\u00ea de tantos atropelos, tanta confus\u00e3o em sua vida. Estava definitivamente num emaranhado de fatos, recorda\u00e7\u00f5es, fracassos, que ficava dif\u00edcil at\u00e9 buscar um aconselhamento, algu\u00e9m para tentar desenrolar aquele novelo. Um terapeuta, pode ser, at\u00e9 procurou uma, era psic\u00f3loga, simpatizou com ela, mas se fosse concorrer a quem falava mais, Beatriz perderia com certeza. Estava na quinta consulta e ainda s\u00f3 tinha relatado as coisas daquele dia quando a profissional abriu a boca num largo bocejo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c &#8211; Est\u00e1 cansada, muito trabalho, n\u00e9?<\/em> \u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c- N\u00e3o, \u00e9 que eu capto a energia da pessoa e quando \u00e9 negativa, eu sempre bocejo&#8230; \u201d<\/em> &#8211; respondeu r\u00e1pido, n\u00e3o teve talvez tempo para pensar. Beatriz quis ainda acreditar que um diploma, ap\u00f3s cinco anos de curso tivesse peso e um deslize n\u00e3o fosse fatal, mas a\u00ed veio a facada&#8230; &#8220;<em>&#8211; Por isso estou fazendo constela\u00e7\u00e3o familiar, voc\u00ea j\u00e1 fez? \u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00e3o, s\u00f3 assisti, mas n\u00e3o curti, achei muito teatral\u201d<\/em> &#8211; disse Beatriz, na lata, antes que ela come\u00e7asse a falar, pois, como disse antes, ela falava bem mais que Beatriz que j\u00e1 sabia que era divorciada e casou novamente e que a constela\u00e7\u00e3o a ajudou a perceber que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c- \u00b4\u00e9 muito bom, me fez ver que meu primeiro marido deve ser sempre priorizado na minha vida em rela\u00e7\u00e3o ao meu atual\u201d. &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c \u2013 Ent\u00e3o no meu caso que fui criada desde um ano de idade pelo segundo marido da minha m\u00e3e, cujo primeiro marido a abandonou, e que assumiu o papel de pai, para mim e meus irm\u00e3os, este n\u00e3o tem prioridade na vida dela? Absolutamente, n\u00e3o concordo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dali, antes de agendar a pr\u00f3xima, Beatriz arrumou um pretexto e caiu fora. J\u00e1 tinha gasto algum dinheiro do pouco que ganhara aquele m\u00eas. Arriscaria de novo?<\/p>\n\n\n\n<p>E seria mesmo essa a situa\u00e7\u00e3o nua e crua? Energia? Seria \u00f4mega? Alfa? Pelo sim, pelo n\u00e3o, Beatriz deu um tempo e resolveu se manter mais algum tempo calada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas continuava sem conseguir entender porque estava ali, presa, sem ter como sair daquelas condi\u00e7\u00f5es. Precisava entender onde estava a sua falha. N\u00e3o lhe faltavam tentativas, mas sempre acontecia algo, para que n\u00e3o tivesse condi\u00e7\u00f5es de sair daquele conv\u00edvio t\u00f3xico com quem ela pouco ou nada se identificava, mas que, no entanto, era a sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentou j\u00e1 acreditar na influ\u00eancia dessas coisas de carma, reencarna\u00e7\u00e3o, d\u00edvidas espirituais, mas isso s\u00f3 a desmotivava ainda mais e a afastava ainda mais da solu\u00e7\u00e3o. Afinal, para tudo h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o, um c\u00e1lculo exato, uma resposta correta, e se a coisa n\u00e3o est\u00e1 dando certo, n\u00e3o traz felicidade, s\u00f3 pode ter algo errado. <em>\u201c \u2013 Ent\u00e3o quer dizer que \u00e9 assim, ponto e basta, aguenta o sofrimento, quieto, por que \u00e9 s\u00f3 uma d\u00edvida e voc\u00ea n\u00e3o pode escapar&#8230;\u201d.<\/em> Ouvira relatos de pessoas que traziam hist\u00f3rias de gera\u00e7\u00f5es passadas como heran\u00e7as, que tanto podiam ser virtudes e riquezas, como podiam ser enormes d\u00edvidas espirituais e materiais que vinham se perpetuando por gera\u00e7\u00f5es at\u00e9 que um desfecho libertador as conseguisse resgatar em nome daqueles esp\u00edritos antepassados. Ou seja, em uma \u00fanica e breve vida, a pessoa teria a incumb\u00eancia de, al\u00e9m de acertar sua prova, resgatar os erros das escolhas erradas dos outros, que se sa\u00edram mal na prova, ou teste, seja l\u00e1 como decifremos a vida? De que vale, ent\u00e3o, o meu registro individual, minhas impress\u00f5es digitais que n\u00e3o tem nas m\u00e3os de mais ningu\u00e9m? Seja l\u00e1 verdade ou n\u00e3o, isso, para mim, n\u00e3o est\u00e1 certo. Por isso Beatriz deixou de vez de se fixar nessa ideia que, al\u00e9m disso, carecia de l\u00f3gica, de um argumento que pudesse ser considerado cient\u00edfico, ou at\u00e9 emp\u00edrico. Se havia, n\u00e3o conseguir\u00edamos enxergar com essa nossa vis\u00e3o tacanha, bidimensional, m\u00edope, como, ali\u00e1s Beatriz era&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, efetivamente, uma verdadeira prova estava por ser desvendada&#8230; talvez ali fosse um ponto de partida para que Beatriz aprofundasse a pesquisa acerca do seu roteiro da vida, mas antes, teria que deixar de lado a desconfian\u00e7a, uma caracter\u00edstica que a definiriam pela teoria dos astros (outra vers\u00e3o explicativa que nos agarramos por falta de outras op\u00e7\u00f5es). \u00c9 que tendo a lua em g\u00eameos, v\u00eanus em capric\u00f3rnio, sol l\u00e1 em peixe e o ascendente em escorpi\u00e3o era uma conjun\u00e7\u00e3o que a for\u00e7ava a ser assim desse jeito. Talvez, devesse realmente acreditar que o princ\u00edpio de tudo que viveu, e que ainda vive, estivesse nisso, ali, e seria a resposta de toda essa vida conturbada e confusa de que ela j\u00e1 tentou escapar, ou nessa altura do campeonato, apenas entender.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, apesar de incr\u00e9dula, havia a informa\u00e7\u00e3o de um passado descoberto por acaso, sem o buscar. Talvez Beatriz n\u00e3o quisesse acreditar, ou n\u00e3o quisesse assumir, ter vivido uma personagem em meio a seus antepassados como a que lhe revelaram ter vivido. E que, enquanto isso n\u00e3o acontecia, enquanto ela n\u00e3o enfrentava o desafio que a chamava constantemente a abrir o t\u00famulo de seus antepassados, ela n\u00e3o conseguiria ver nada com clareza, para que veio e o que era a sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Um turbilh\u00e3o de pensamentos a instigava e, agora, estava disposta a se jogar nisso, tinha pouco tempo para desvendar seu misterioso papel nessa vida em que ela tinha a impress\u00e3o de n\u00e3o ter vivido como deveria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1 \u201c- Isso, para mim, vem l\u00e1 de tr\u00e1s, de um outro tempo&#8230;sim, vem de l\u00e1, a origem disso tudo. Por isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ir para frente. Precisamos de sinaliza\u00e7\u00f5es, bengalas o tempo todo. 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