{"id":593,"date":"2017-04-09T15:29:48","date_gmt":"2017-04-09T15:29:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.kwspessoaseotrabalho.com\/?p=593"},"modified":"2019-01-18T11:15:09","modified_gmt":"2019-01-18T11:15:09","slug":"a-apatia-no-rh-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/index.php\/2017\/04\/09\/a-apatia-no-rh-2\/","title":{"rendered":"A Apatia no RH"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">H\u00e1 poucos dias, me deparei com um artigo do ex-diretor da Nestl\u00e8, Carlos Faccina, enfatizando a atual descren\u00e7a dos empres\u00e1rios sobre a import\u00e2ncia do setor RH como um recurso estrat\u00e9gico na gest\u00e3o organizacional e em rela\u00e7\u00e3o aos seus neg\u00f3cios. Me sinto perfeitamente confort\u00e1vel em concordar com ele tanto pelas experi\u00eancias pr\u00f3prias vividas quanto por relatos gerais de funcion\u00e1rios dos mais diversos tipos de empresas e colegas de profiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser uma profiss\u00e3o relativamente nova no mercado de trabalho e que por isso, era de&nbsp; se esperar estar agora em seu apogeu, n\u00e3o avan\u00e7ou muito em estudos filos\u00f3ficos mais significativos.&nbsp;Alguns pontos interessantes no artigo do ex-diretor me fazem entender porque os cargos de Gerenciamento da \u00e1rea de RH, que tinha \u00e0 seu favor boas perspectivas e expectativas de atua\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dentro da administra\u00e7\u00e3o geral, exercendo um papel relevante para alavancar a produtividade, pode ter dado errado. Ser\u00e1 que tudo n\u00e3o passou do famoso &#8220;sucesso rel\u00e2mpago&#8221;? Talvez seja, t\u00e3o simples quanto isso, uma das respostas, pois \u00e9 sabido que qualquer novidade s\u00f3 se mant\u00e9m viva ao longo do tempo se atuar com base em uma necessidade real. Caso contr\u00e1rio, assim como os astros pops, n\u00e3o se manter\u00e1 por muito tempo. O ponto de partida para se entender as causas e apatia com rela\u00e7\u00e3o ao setor se deve principalmente ao fato de que n\u00e3o existiu uma&nbsp;<strong>base filos\u00f3fica<\/strong>&nbsp;suficientemente s\u00f3lida na sua constru\u00e7\u00e3o. Faltaram estudos, an\u00e1lises e observa\u00e7\u00f5es&nbsp; da nossa sociedade atual, respeitando as suas diversidades geogr\u00e1ficas, culturais, econ\u00f4micas e sociais em seu campo de a\u00e7\u00e3o, o que a fez se distanciar completamente da realidade e, por isso, das necessidades contempor\u00e2neas. As teorias mais s\u00f3lidas ainda s\u00e3o aquelas de d\u00e9cadas atr\u00e1s, constru\u00eddas em pa\u00edses e tempos long\u00ednquos. O que se fez foi mudar a vestimenta e adequar uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o, mas o corpo que sustenta a estrutura permaneceu o mesmo, agora ainda mais enfraquecido, velho e distante da atualidade. A raiz que deu origem \u00e0s teorias humanistas, cient\u00edficas, administrativas que revolucionaram o sistema na \u00e9poca e, por consequ\u00eancia, toda a sociedade, teve como base e in\u00edcio a observa\u00e7\u00e3o incessante sobre o terreno \u00e0 sua volta, desde o trabalho at\u00e9 a sociedade e a economia. Muito estudo e an\u00e1lise de profissionais ligados \u00e0 \u00e1rea de sociologia e administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"360\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/hqdefault-2.jpg?resize=480%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1284\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/hqdefault-2.jpg?w=480&amp;ssl=1 480w, https:\/\/i0.wp.com\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/hqdefault-2.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Hoje o que vemos s\u00e3o, salpicados aqui e ali, alguns experimentos te\u00f3ricos em algumas empresas modernas, quase sempre em pa\u00edses distantes e, em sua grande maioria, sem conex\u00e3o com a nossa realidade e sem peso suficiente para formar uma nova concep\u00e7\u00e3o que daria origem \u00e0 novas teorias para as necessidades da sociedade moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em resumo e na pr\u00e1tica, com exce\u00e7\u00e3o do setor Departamento Pessoal, que desde sempre atuou como um setor cont\u00e1bil, com foco na rela\u00e7\u00e3o contratual empregado\/empregador e na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, junto aos sindicatos, o que se fez foi agregar uma estrutura segmentada, ou como se diz na linguagem pr\u00f3pria, <em>subsistemas interligados<\/em>&nbsp;que no conjunto formaram a&nbsp;<em>ARH &#8211; \u00c1rea de Recursos Humanos, um sistema com opera\u00e7\u00e3o circular&nbsp;<\/em>e&nbsp;dentro de um conjunto maior, que \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o geral da organiza\u00e7\u00e3o. Mas&#8230;<em>&#8220;quando o objetivo n\u00e3o \u00e9 claro, a operacionalidade se perde em caminhos desnecess\u00e1rios e come\u00e7a \u00e0 haver falha de conex\u00e3o no sistema at\u00e9 se chegar \u00e0 aus\u00eancia de sintonia entre os pr\u00f3prios profissionais da \u00e1rea que repercute em um o corpo da organiza\u00e7\u00e3o gerando a inefici\u00eancia e a desconfian\u00e7a&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim a for\u00e7a no setor se esvai, o conjunto maior, a dire\u00e7\u00e3o, percebe o ponto fr\u00e1gil e a inoper\u00e2ncia e, sem tempo nem dinheiro \u00e0 perder, toma \u00e0s r\u00e9deas do setor, coloca o espa\u00e7o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de outros, terceiriza ou  evacua a \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito simples perceber isto observando, para come\u00e7ar, a aus\u00eancia de uma descri\u00e7\u00e3o funcional exata para os cargos da ARH. Quer ver? Pare um dia e examine alguns an\u00fancios de vaga para o setor RH. Claramente voc\u00ea ver\u00e1 a confus\u00e3o dos pr\u00f3prios empres\u00e1rios na hora de anunciar. Recrutar um profissional para ocupar um cargo na ARH tanto poder\u00e1 ser para um espec\u00edfico gestor de RH, gradua\u00e7\u00e3o superior tecnol\u00f3gica bem recente da qual fa\u00e7o parte, como pode ser para um psic\u00f3logo, um administrador, ou quem sabe at\u00e9 um advogado que saiba lidar com os problemas trabalhistas, ou apenas um contador que fa\u00e7a as contas certas ou at\u00e9 mesmo qualquer outro profissional que j\u00e1 tenha tido alguma viv\u00eancia em atividades similares, ou melhor dizendo, &#8220;afins&#8221;, como aparece constantemente nos an\u00fancios de emprego. Quem sabe, \u00e0 fim de algo, de se arriscar, de ser experimentado, que talvez possa dar certo. Enfim, o que se busca \u00e9 um profissional que possa, de forma gen\u00e9rica, lidar com as pessoas e que, ao lado da dire\u00e7\u00e3o, do financeiro e do marketing desenvolva uma estrat\u00e9gia e um plano de a\u00e7\u00e3o conectado aos neg\u00f3cios e que, em simult\u00e2neo, fa\u00e7a com que essas pessoas produzam mais, custem menos e, se poss\u00edvel, criem um ambiente de trabalho atraente e harmonioso que, de sobra, conseguir\u00e1 captar os maiores talentos. Tudo isso sem acidentes. Que esse profissional consiga &#8220;enxugar&#8221; as despesas sem precisar enxugar l\u00e1grimas, aumentando os lucros. Enfim, o RH ser\u00e1 um &#8220;pau para toda obra&#8221; ou ser\u00e1 um nada. N\u00e3o \u00e9 a toa que os empres\u00e1rios, cuja natureza \u00e9 imediatista, est\u00e3o pondo o p\u00e9 no freio na hora de avaliar se devem, o que devem ou se n\u00e3o devem investir parte do capital da empresa na contrata\u00e7\u00e3o de profissionais de RH, profissionais indefinidos e, se indefinidos, n\u00e3o muito confi\u00e1veis na obten\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Se formos analisar meticulosamente as a\u00e7\u00f5es desses profissionais internamente, uma pergunta vir\u00e1 \u00e0 tona: O que fazem realmente as pessoas que trabalham no RH da empresa, com exce\u00e7\u00e3o do DP que mant\u00e9m sua posi\u00e7\u00e3o fixa ao lado do financeiro?<\/p>\n\n\n\n<p>Faccina coloca sucintamente em pauta algumas raz\u00f5es, que eu aproveito para estender na an\u00e1lise. As palavras do autor est\u00e3o em negrito e foram rigorosamente copiadas do artigo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carlos-Faccina.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"182\" height=\"277\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carlos-Faccina.jpg?resize=182%2C277&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-812\"\/><\/a><figcaption>Carlos Faccina, ex-diretor da Nestl\u00e8<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ponto&nbsp;<strong>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o dominam a linguagem dos neg\u00f3cios&nbsp;&#8211; de um modo geral, o vocabul\u00e1rio \u201cexageradamente humano\u201d, &nbsp;soa estranho aos demais colegas, jocosamente, \u00e9 considerado bl\u00e1, bl\u00e1&nbsp; bl\u00e1.&nbsp;<\/strong>&nbsp;Efetivamente, e j\u00e1 escrevi alguns artigos neste blog \u00e0 respeito, h\u00e1 uma enorme influ\u00eancia da \u00e1rea da psicologia no RH, o que \u00e9 previs\u00edvel, at\u00e9 mesmo por estar na \u00e1rea de humanas, mas n\u00e3o h\u00e1 aqui a hip\u00f3tese de deixar de lado que o nome <em>&#8220;recursos&#8221;<\/em>&nbsp;implica um comprometimento com a produtividade e isto se baseia em n\u00fameros, progress\u00f5es e tempo. Portanto, seria necess\u00e1rio ter um conte\u00fado intermedi\u00e1rio unindo interesses matem\u00e1ticos ao desenvolvimento da psique e bem estar humano, Se isso n\u00e3o ocorrer, os opostos ir\u00e3o sempre se combater e acabar\u00e3o por se anular. O blablabl\u00e1 nada mais \u00e9 que o distanciamento das linguagens opostas. O choque na comunica\u00e7\u00e3o que jamais deveria existir dentro da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ponto<strong>&nbsp;2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Raramente compreendem ou mesmo participam da elabora\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento&nbsp;&#8211; &nbsp;as veias por onde corre o sangue da Empresa.&nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/strong>Uma clara consequ\u00eancia do ponto 1, pois se n\u00e3o h\u00e1 uma linguagem compreens\u00edvel entre as duas partes, elas acabam n\u00e3o se unindo e descartam-se mutuamente em qualquer ambiente, pois n\u00e3o ir\u00e3o acrescentar nada uma \u00e0 outra. A partir do momento que se crie uma linha de conex\u00e3o entre os conhecimentos das partes formando uma base complementar na \u00e1rea de neg\u00f3cios da empresa isso acontecer\u00e1 naturalmente e a\u00ed sim, o RH ter\u00e1 espa\u00e7o e acrescentar\u00e1 o que falta na compreens\u00e3o do ponto de vista humano \u00e0 estrat\u00e9gia da empresa, de forma que todos se entendam. Caso contr\u00e1rio, s\u00f3 ser\u00e1 ultrapassado se a empresa tiver a sorte de encontrar um profissional polivalente por natureza, ou seja, que tenha na sua veia humanista um DNA empreendedor e racionalmente matem\u00e1tico. De qualquer modo, isso n\u00e3o \u00e9 um jogo de sorte e no futuro se faz necess\u00e1rio um preparo adequado \u00e0 uma nova vis\u00e3o de RH. Um profissional de cunho empresarial, mesmo que voltado para o bem estar e&nbsp; potencial do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ponto&nbsp;<strong>3. Raramente visitam o mercado &#8211; est\u00e3o distantes dos clientes e consumidores.<\/strong>Tudo acaba por fazer parte de um mesmo processo. Linguagens diferentes, aus\u00eancia de vis\u00e3o do profissional RH do todo e da sua fun\u00e7\u00e3o nele, normalmente com foco disperso na humaniza\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho e, por fim, a falta de incentivo e abertura para que ele se aproxime mais dos neg\u00f3cios. Desencadeia o abismo entre esse profissional e o cliente externo, j\u00e1 que ele concentra suas atividades apenas no cliente interno. Por esse motivo, vemos muitas vezes a empresa virar uma esp\u00e9cie de clube, recheado de festas, comemora\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es internas motivacionais, totalmente \u00e0 margem do foco da organiza\u00e7\u00e3o que acaba por ficar com a impress\u00e3o de estar em uma \u00e1rea de lazer dentro da empresa sem objetivo que realmente lhe interessa.. <\/p>\n\n\n\n<p>Ponto<strong>&nbsp;4.&nbsp;Promovem cursos e treinamento, em sua maioria -\u201dcomportamentais\u201d-&nbsp;&nbsp;\u00e0 exemplo de \u201cconstru\u00e7\u00e3o de lideres\u201d, sem conectarem os conte\u00fados e seus efeitos sobre os resultados.<\/strong>Escrevi um artigo &#8220;treinamento escalonado&#8221; que diz tudo o que penso sobre isso&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Ponto&nbsp;<strong>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Passam a impress\u00e3o \u2013 muitas vezes \u2013 &nbsp;de \u201csindicalistas\u201d,&nbsp;&nbsp;ao defenderem o \u201cpessoal\u201d.&nbsp;<\/strong>Ao se aplicar um atendimento apenas focado no seu cliente interno, o profissional de RH acaba muitas vezes por esquecer o compromisso de equilibrar os interesses, mas sempre com foco na sustentabilidade. H\u00e1 que se ter bom senso.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Para quem quiser ler o artigo de Claudio Faccina, segue o link abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/colunas.revistaepocanegocios.globo.com\/carreiraevida\/2014\/09\/26\/rh-no-bico-do-corvo-5-fatos-que-tem-desacreditado-a-funcao\/\">http:\/\/colunas.revistaepocanegocios.globo.com\/carreiraevida\/2014\/09\/26\/rh-no-bico-do-corvo-5-fatos-que-tem-desacreditado-a-funcao\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias, me deparei com um artigo do ex-diretor da Nestl\u00e8, Carlos Faccina, enfatizando a atual descren\u00e7a dos empres\u00e1rios sobre a import\u00e2ncia do setor RH como um recurso estrat\u00e9gico na gest\u00e3o organizacional e em rela\u00e7\u00e3o aos seus neg\u00f3cios. 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