{"id":85,"date":"2026-03-27T11:00:00","date_gmt":"2026-03-27T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.kwspessoaseotrabalho.com\/?p=85"},"modified":"2026-10-12T21:32:56","modified_gmt":"2026-10-12T21:32:56","slug":"tem-algo-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kwpessoaseotrabalho.com\/index.php\/2026\/03\/27\/tem-algo-diferente\/","title":{"rendered":"Tem algo diferente?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tanta ferrugem nessa massa que descobrir, ap\u00f3s meio ano de vida, que se perdeu tempo, \u00e9 triste, mas acontece. Poucos s\u00e3o os que atinam que pegaram um bonde errado, ou que pegaram o certo, mas com um chap\u00e9u alheio, e outros tantos partem sem sequer terem vindo. \u00a0Portanto, o atraso, na pior das hip\u00f3teses, \u00e9 o de menos para quem j\u00e1 chegou depois da metade da vida sem saber para o que veio ou se arrepende do que n\u00e3o foi feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revirar o jogo e a ampulheta do tempo \u00e9 imposs\u00edvel, mas vale aprender a brincar com as ferramentas que, de certo, conquistou. Alguma voc\u00ea haver\u00e1 de ter. Em um jogo meio escondido, meio solit\u00e1rio, voc\u00ea, com algumas pe\u00e7as na m\u00e3o, aquelas que te sobraram no tabuleiro da vida, pode, finalmente, com alguma liberdade, longe dos olhares, inventar um jogo s\u00f3 seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sei, essa reviravolta tinha que ser antes, mas isso se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos uma educa\u00e7\u00e3o banal, um emprego formal, e tal, e se n\u00e3o cresc\u00eassemos s\u00f3 junto com gente, atropelando o processo criativo e nos fazendo perder inclusive boa parte do nosso tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando chegamos no topo da vida em que estamos totalmente afiados, sangue borbulhante, atrevido, circula\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica passando por todos os nossos ossos erguidos, mais eretos do que nunca, tudo se movendo, tudo acompanhando, tudo aprendendo, tudo fazendo, tudo ao seu dispor, muito para compor&#8230; vem as regras, o dever social e o banimento de qualquer contesta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a juventude tem o que os recalcados embarreiram \u2026 a possibilidade de mudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a\u00ed o tempo passa sem darmos conta e passamos a jogar um jogo inventado por outros, e que se joga at\u00e9 hoje, e que n\u00e3o tem a menor gra\u00e7a. Porque n\u00e3o era para ser assim. Teria que nos bastar ouvir a regras da nossa ess\u00eancia, da nossa natureza, aquela que tudo nos d\u00e1, mas que se entristece nos vendo seguir caminhos entorpecidos pelo bando, inconscientes, manipulados. Esse tabuleiro \u00e9 velho, s\u00f3 troca a roupagem. Inventam umas tecnologias, umas cores vibrantes, um Tiktok aqui, um PIX ali, mas o tabuleiro \u00e9 o mesmo de sempre. E o que \u00e9 pior, j\u00e1 mostrou, h\u00e1 muito, que n\u00e3o funciona, n\u00e3o faz ganhadores. Com muitas ou poucas pe\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 ganhadores. E se perguntarem porque est\u00e3o jogando este jogo at\u00e9 hoje, dir\u00e3o\u2026 <em>\u201c- Ora, e tem algo diferente? \u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, quando chegamos na meia idade, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incomum aos 40, 50, 60 ou 70 anos entrar numa faculdade, publicar algo in\u00e9dito ou simplesmente reinventar um novo estilo, mudar esquemas, perceber um rasgo, mesmo que tardio, de liberdade. \u00c9 porque os olhos j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o se virando para n\u00f3s, vamos ficando despercebidos, v\u00e3o afastando o tabuleiro, vamos sendo conduzidos para a beirada\u2026 j\u00e1 prestes a cair. Nessa hora essa nuance de liberdade vai aparecendo, uma coisa nova. O corpo f\u00edsico acompanha a mudan\u00e7a repondo na falta de lucidez uma sensa\u00e7\u00e3o, finalmente, diferente para compensar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando n\u00e3o t\u00e3o destru\u00eddos por traumas, guerras in\u00fateis, a mente se recomp\u00f5e pensando na vida e o que dela fez, lembrando mais do que nunca do passado, da inf\u00e2ncia\u2026 porque foi nela que se perdeu. E a\u00ed vem a pergunta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c &#8211; Mas quem \u00e9 voc\u00ea? \u201d &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c- eu era uma crian\u00e7a, mas ainda n\u00e3o sei quem eu era\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 culpa. Todos passam, passaram e passar\u00e3o pelo mesmo processo, pois caminhamos num mesmo jogo de manipula\u00e7\u00e3o. Podemos ter variadas culturas, hist\u00f3rias, as pe\u00e7as mudam os formatos, mas dif\u00edcil \u00e9 sair desse tabuleiro. \u00c9 igual. E salvo aqueles que se jogaram em tempo para fora e se mantiveram ilesos, sem serem corrompidos, teria sido essa a vida que todos n\u00f3s ter\u00edamos vivido. A vida \u00fanica de uma ess\u00eancia e prop\u00f3sito que morremos desconhecendo (salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es) e que nos distinguem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kawer<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tanta ferrugem nessa massa que descobrir, ap\u00f3s meio ano de vida, que se perdeu tempo, \u00e9 triste, mas acontece. 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