“Assim como em uma aula de violão, quando o professor insiste em não te dar uma música de imediato e te faz fazer a escala até se tornar enfadonho, qualquer aprendizado terá que passar pelo infinito e persistente dedilhar até chegar à perfeição.”
E é exatamente assim que deveria ser quando entramos em qualquer processo de aprendizado, seja por questão de adaptabilidade ou aperfeiçoamento. Mas difícilmente temos a paciência necessária para aprendermos uma tarefa com perfeição, repetindo por várias vezes, de forma minuciosa, devagar e constantemente, até adquirir velocidade para que ela saia perfeita tanto para nós quanto para os outros.
(…) Por isso, hoje, eu diria que uma das maiores lacunas no segmento de T&D (Treinamento & Desenvolvimento, um dos subsistemas do RH corporativo) é demonstrar EFICÁCIA seja o treinamento de foco comportamental, manual, funcional ou estratégico (…)
O que muitas vezes ocorre é que os treinamentos, são hoje, na maioria da vezes, executados por EMPRESAS TERCEIRIZADAS e, por isso, modelados em tamanho único, padrão, para ‘caberem’ na maior gama possível de diferentes corpos empresariais (…) Em outras palavras, a maioria dos treinamentos entram e saem das empresas parecendo pausas para o recreio no pátio da escola. Ou seja, uma atividade recreativa.
Em contrapartida, do outro lado, temos a EMPRESA/CLIENTE que, geralmente, quando se encontra nesse estágio de ir em busca de ajuda externa é porque já está com a corda no pescoço.
Vamos então conhecer alguns dos treinamentos empresarias mais comuns e como eles se apresentam em seus diversos formatos:
Treinamento Motivacional
Umas das modalidades mais comuns, indicadas pelos psicólogos no RH, são os treinamentos motivacionais que funcionam, assim como aquele livro de autoajuda que fica na cabeceira ao lado dos calmantes e dos antidepressivos. Um freio nos instintos maléficos que enegrecem a visão e a mente do ser que está lidando com toda a sorte de problemas (internos e externos) no ambiente de trabalho. Utilizado em todos os setores da empresa este treinamento busca libertar a tensão, desbloquear a timidez e trazer energia positiva, espírito de equipe… MOTIVAÇÃO!! (…)
(…)


No dia seguinte…
O CEO anda às voltas à procura de seu assistente: “-Onde está o Álvaro? alguém viu? não chegou ainda?? Mas temos reunião agora” – Vai à mesa da telefonista para pedir que ela ligue para o Álvaro. Esta, entretida com seu celular, meio atrapalhada, interrompe a conversa e diz, “- Sim senhor, eu vou ligar já!”. Vinte minutos depois ele volta: “-E então? e o Álvaro? está vindo?”. -“Sabe que eu não consegui falar com ele? Só dá caixa postal! Mas vou continuar tentando”. Em sua mesa, o visor do celular ainda iluminado e ela volta à conversa que não havia sido sequer desligada e fala baixinho: “- Amor, vou ter que desligar, meu chefe está no meu pé!”
Álvaro aparece com uma hora de atraso (…)
(…) O treinamento motiva, mas sua ação é instantânea e superficial. O pó de pirimpimpim dissolve em uma breve mexida.
Treinamento Técnico
Partindo para o outro lado, o oposto, a modalidade de treinamento técnico é bem menos colorida, aliás, é o preto no branco. Ensina o que tem que ensinar, faz o que tem que ser feito, limitando-se à(s) tarefa(s) que será(ão) executada(s). Eficaz para aprendizados operacionais tais como manuseio de máquinas ou para o uso de programas específicos (…)
Treinamento Empresarial
Existe ainda o treinamento empresarial que em geral é uma ‘consulta’ dada por “consultores” de uma ‘consultoria’. Funciona exatamente como o próprio nome diz, como qualquer consulta em que um especialista, neste caso, em gestão empresarial, analisa pontos, sintomas, até chegar a um diagnóstico para depois medir ações, indicar tratamentos e antídotos para combater o mal. “-Sim, o que o senhor tem?” “- Não sei Dr, sinto-me mal” – diz a empresa – “cada hora dói uma coisa, às vezes acho que vou morrer… Estou tomando isso, aquilo e aquilo outro, mas nada adianta” “- Ok, então, vou pedir uns exames, para poder lhe receitar alguns medicamentos ou até mesmo, se for o caso, uma cirurgia” (…)
Por isso, se, hoje, Elton Mayo estivesse vivo e fizesse um modelo análogo às suas pesquisas na fábrica de Hawthorne Works da Western Electric Company (…)
Treinamento Escalonado
Esse, inventei eu o título, aqui, de ‘sopetão’ (…)
Não há sonhos, nem milagres. Árduo trabalho, constante busca pela perfeição. A eficiência é uma meta que só se atinge com dedicação plena, concentração, visão afiada, aproximação das partes e alinhamento da realidade interna (que é subjetiva) com a externa ( que é objetiva) numa análise contínua, com direito a debates e acordos, tudo que se requer para melhorar a percepção em que o funcionário possa DECIDIR PARTICIPAR EFETIVA E CONSCIENTEMENTE da orquestra (…)
