Patri-mônio

De pátria, pai, patrono, patriarca, pater…o patrimônio, substantivo concreto, ao fim das contas não passa de abstrato. De concreto temos apenas o seu fim. Mesmo que seja repassado em espólios, por nós, ínfimos terráqueos, o fato é que, quer queira, quer não, quando o corpo sucumbe na terra, o que vai, vai despido, é apenas a alma, lavada ou não.

Nas contas feitas veremos que os números não contam, no final, o melhor juízo pedirá apenas o registro das ações, não aquelas que enchem as bolsas e os bolsos, aumentando os patrimônios. Ficará como crédito apenas as condições com que a alma chega cuja moeda de troca, ali, de valor, não é nem de longe a que normalmente usamos.

Libertos dos corpos físicos, pesados ossos e carnes, os juízes verão quem se enroscou, se enrolou, se escravizou, se enganou, assim como os seus algozes. Ambos viverão o que eles próprios plantaram, seus bens e mal feitos, agora, numa vida bem mais longa, quase eterna, bem mais difícil de consertar. É que ao homem foi dificultado conhecer a fundo a verdade, pois deverá decidir por livre arbítrio, sem imposição, por isso não a enxergamos, pois é na ingenuidade do propósito que passamos a agir pelo que efetivamente somos…

… a nossa essência,

nosso efetivo patrimônio.

O Espírito e a Matéria de Michelangelo

Kawer

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