“– Me dá uma moeda, um pão, uma coisa pra comer senhora…” “- Moça, compra uma caixa de bala pra eu trabalhar…””- Por favor senhor, compra um leite pro meu filho que tá em casa com fome…” O pedinte, um homem jovem, magro, barba desgrenhada, descalço, pés imundos, pedia incessantemennte qualquer coisa para saciar sua fome. Sentado ao lado de um mini mercado na Garcia D’Ávila, rua esnobe, movimentada, na zona Sul do Rio, tentava convencer qualquer uma daquelas alma passante. Mas passava um, passava outro, atrás desse, mais outro, mas ninguém sequer olhava para ele.
Na mesma calçada, mais à frente, duas senhoras bem vestidas conversavam, paradas, à espera do motorista que fora buscar o carro no estacionamento. Tinham acabdo de sair de uma das lojas de griffe, e ambas estavam carregadas de sacolas. Sem darem por isso, não perceberam que o pedinte havia se levantado e caminhava na direção delas e, subito, se infiltrou na conversa…
“- Senhoras, com todo respeito, podem me ajudar com um dinheiro pra comprar uma comida, qualquer coisa? um dinheiro, uma moeda, pagar um café…? “
Elas olham para o homem num misto de sobressalto, asco e medo, se entreolham e falam entre si enquanto davam sorrateiramente dois passos para trás evitando a aproximação.
” – Ai, que droga! Isso agora é assim, estão por todo o lado, parecem pragas! Querem ganhar as coisas de graça!” – disse uma delas enquanto a outra torcia o nariz e a cara para ver se o afugentava ” – Não, não temos nada! ” – e vira-se para a amiga, como se o rapaz não existisse: ” – Vai ver se quer trabalhar, hum, nem pensar.”
E nada do motorista chegar.
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