Melado

Que gripe violenta! Digo isto, pela forma com que ela me jogou na cama nesses últimos dois dias, fiquei zonza, fanha, e com o nariz marcado, descascado e vermelho de tanto assoar. Peguei da minha filha que ‘dodói’ se aconchegava e dormia do meu lado. Coisas de mãe e filha. Mas não são aquelas bochechinhas rosadas e pequenas de outrora, é de uma pessoa já quase com o dobro da minha altura. Ainda assim, fazendo coisas de mãe e filha.

E assim, quando a cabeça gira, sem conseguir se concentrar no que presta, aparece, logo, mais adiante, o medo, do que parece estar mais à mostra, de morrer. Minha filha entra no quarto e me pergunta: “tá sentindo o que mãe? Se tem coriza não tem problema”. Ficamos tacitamente tranquilas, mesmo que nenhuma das duas tenha revelado abertamente à outra a preocupação de estar contaminada pelo coronavírus.

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