Sabedoria de Esquina é uma categoria que criei de crônicas do dia a dia, daquelas que se inspiram apenas com o cruzar de pessoas formando ‘n’ tipos de situações, bizarras, poéticas, engraçadas e muitos outros adjetivos. Uma série com episódios comuns expostos com a criatividade do cronista.
Há certa pretensão de inspirar pessoas a escrever. Como não posso concorrer com os recursos visuais da vida contemporânea e seus imagéticos e impactantes tiktok da vida (que, de certa forma, também me atraem) … foco apenas no meu apetite, que é grande e independente, para buscar nas pessoas o hábito da leitura e da escrita.
Nesta ‘série’, os episódios são desconexos. Não poderiam deixar de ser, afinal, encontros inesperados entre pessoas só tem graça justo por esse motivo. Nessa vibe atual corre-se também o risco de esmaecerem do nada sem ninguém nem dar por isso.
Quanto ao título…
A Sabedoria porque é aquilo que precisa brotar quando a semente é fértil, mas o solo é duro. E este é o caso. A impotência em garantir colheita mesmo que as raízes vinguem exige essa capacidade. O foco passa a ser mais na realização do prazer no momento, o fazer sem pretensão. É o dom de absorver ar puro do tóxico, a água pura de um lamento e, de algum modo, conseguir saborear um fruto ainda verde.
Esquina, porque não se refere necessariamente ao ponto de intersecção entre duas ruas perpendiculares, mas sim, a qualquer ponto de encontro entre duas ou mais pessoas, situações e fatos em que o importante é que por trás de qualquer um deles exista uma engenharia do destino. Se faz necessário, fundamentalmente, que o(a) espectador(a) esteja ali passando na hora com a visão atenta e boa disposição, vendo nas cenas simples do dia a dia uma cena original, curiosa e, por isso mesmo, inspiradora
Em se tratando de pessoas X situações, qualquer um de nós está diante de um sistema cartesiano e fica a possibilidade de se escrever ‘ad eternum’, neste leque infinito de combinações das mais bizarras e divertidas às mais poéticas, grotescas, mas sempre inesquecíveis.
Enfim, não há o que temer da banalidade do cotidiano, pois até mesmo a rotina inspira algo de novo, basta jogar ‘um filtro’. Ela nunca será igual em outro momento ou local. Jamais será porque mesmo num enredo estático há algo sempre mudando, nem que sejam as células em ti envelhecendo e a verdade é que para cada dia e para cada um de nós, nunca viveremos o mesmo cenário, o que é tão bom quanto ruim em todos os sentidos.
Por isso devemos, vez por outra, os imortalizar…
O primeiro episódio já está no ar, o próximo, logo se vê …
Kawer