Sabedoria de Esquina

Sabedoria de Esquina é uma categoria de crônicas do dia a dia, daquelas que se inspiram num cruzar de uma esquina da vida. Uma série com episódios comuns expostos em letras mesmo com a chance de morrer antes que nasça já que os recursos visuais da vida contemporânea me impedem de concorrer aos imagéticos e impactantes tiktoks… sem ressentimentos, pois o meu apetite é bem diferente.

Nesta ‘série’, os episódios serão desconexos. Por isso, tanto corre o risco de eles serem constantes quanto de sairem do ar sem aviso prévio da emissora, já que esta é a forma com que a mesma costuma produzir… sem compromisso. Meu antecipado pedido de compreensão.

Fato é que não estou nada certa da minha real habilidade com a escrita, pois estou parada nessa esquina há quase dez anos e meu único contato é com a nuvem, provedora, a quem pago mensalmente vinte e seis reais para manter em algum lugar meus escritos.

Quanto ao pretensioso título…

Sabedoria porque é aquilo que precisa brotar quando a semente é fértil, mas o solo é duro. E é o caso. Quando se perde a garantia da colheita, as raízes se espalham, desordenadamente, numa completa falta de técnica para semeadura. E para isso serve a sabedoria, o foco passa a ser mais na realização algures e menos na colheita visível. É o dom de absover ar puro do tóxico, água do lamento e, de algum modo, conseguir maturar o (próprio) fruto.

Esquina, não se refere necessariamente ao ponto de intersecção entre duas ruas perpendiculares, mas sim, a qualquer ponto de encontro entre duas ou mais pessoas, situações e fatos em que o importante é que por trás de qualquer um deles exista uma engenharia do destino. Se faz necessário, fundamentalmente, que o(a) espectador(a) esteja ali passando na hora com a visão atenta, valorizando tudo ao seu redor, desde pessoas à coisas que se esbarram num espaço físico temporal formando uma cena única, original e, por que não, transformadora?

O que me faz escrever sobre isso é o fato de que, em se tratando de pessoas versus situações, estou diante de um sistema cartesiano e fico com a possibilidade de me inspirar ‘ad eternum’. Isso porque tenho mãos ávidas e nada melhor que ter, nelas, este leque infinito de combinações das mais bizarras e divertidas às mais póeticas, grotescas e inesquecíveis.

Afinal, não há o que temer da banalidade do cotidiano, pois nem mesmo a rotina, nos impede de buscar inspiração. Ao contrário do que você imagina, ela nunca é sempre igual. Não é mesmo, e jamais será. Porque mesmo nela há algo sempre mudando, nem que sejam as células em ti, envelhecendo a cada dia, e mesmo sabendo que agora peguei pesado, a verdade é que para cada dia e para cada um de nós, nunca viveremos o mesmo, o que é tão bom quanto ruim em todos os sentidos e direções da vida.

O primeiro episódio já está no ar, o próximo, logo se vê ali na esquina…

é assim,

Kawer

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