BBB26 Uma Casa, as Peças e as Plantas

Não sou do tipo de fazer ‘gênero Cult‘ para menosprezar o entretenimento popular. Já acompanhei esporadicamente, quando os participantes eram interessantes, alguns capítulos das duas primeiras temporadas, sempre pela TV aberta (nunca 24h), pois nem à minha vida sigo assim todo o tempo. A partir daí nunca mais vi o famosos Reality BBB. Chato demais, além de eu não conseguir sequer ouvir ou entender as baboseiras e fofocas que falavam os participantes. Mas, agora, nesta última temporada de 2026, com tantas redes sociais falando no assunto, com tantos reels engraçados, acabou por atrair minha atenção.

Peguei o programa já bem mais à frente. Muito já haviam sido eliminados, alguns famosos e outros menos importantes. Alguns emparedados, outros cancelados e, até, alguns, expulsos. Portanto, o jogo já estava bastante movimentado. Na altura em que peguei corriam até comentários de que a emissora teria que extinguir o programa por falta de participantes, sobrando só o gramado e as plantas (as de verdade, já que ‘planta’ passou a ser também a alcunha para aqueles integrantes que nada faziam para movimentar o reality, em outras palavras, só ornavam a casa). Fato que ocorre também em nossas vidas cá do lado de fora. Prefiro os chamar de ‘opacos’.

Então me apeguei ao jogo justamente nesta altura, com poucos sobreviventes. Tão empolgada fiquei que trouxe o programa para esta plataforma. Resolvi me aventurar a fazer uma ‘análise’ de como eu vejo os participantes naquele cenário da casa começando pelo paisagismo, associando os personagens às tais PLANTAS que os poderiam representar:

Vamos aos jogadores por eles designados ‘plantas’:

Leandro – vulgo Boneco, faz jus ao apelido, ele está ali mesmo desse jeito, um boneco simpático, mas de cara fechada, ora aparentando raiva, ora pensativo, por se sentir injustiçado, achando que foi ‘congelado’ pelos companheiros, mas, não, foi por ele mesmo. Da minha parte, que não vi o início, peguei o bonde andando, não dá para dizer se houve um motivo, mas no boneco, não vejo maldade, mas também não vejo inocência, vejo uma malandragem de quem é vivido, de quem se move ligeiro nas provas dos homens e dos anjos. Mas como aparece pouco, acho que será rapidamente removido (é a tendência do programa). Já ganhou apartamento, se sair, sai limpo, não vence, mas não sai vencido. Planta: Arruda, não aceita mau-olhado de ninguém, fica ali na muvuca, só se protegendo.

Chaiany – Essa é planta amazônica cultivada em piscina de luxo. Parece uma menina, no corpo e no falar, mil e um trejeitos infantis, mas tantos desejos misteriosos, um mix preparado por ela e pela muita vontade de permanecer no jogo. Pelo que percebi, saiu de um terreno (em que ela podia vingar) e foi para outro regado de agrotóxicos, assim está quase morrendo, mas parece que já percebeu a burrada e tenta se desintoxicar. Vai para lá, vai para cá, na mesma tática da próxima personagem de quem já vou falar. Vai tentando se manter ali, ora criança, ora mulher, ora doce, ora briguenta, ora grita, ora chora, vai se balançando ali com os pezinhos no vai e vem para ver se ganha algo do programa. Planta: Vitória-régia, uma flor viçosa, grande, de origem amazônica, mas que, no seu caso, parece que tentar viver em lago artificial.

Samira – Me lembra a lenda de Semíramis, que queria desposar o rei da Armênia, Aros, mas este a rejeitou. Com astúcia, ela arrumou um jeito de criar uma guerra dos Assírios contra o seu ex-amado, mas, apesar de o querer vivo, este acabou morrendo. Vendo que fez asneira, Semiramis tenta ressuscitá-lo, pois era também feiticeira, entretanto, não conseguiu. Vendo que os armênios revoltados queriam vingar a morte de seu rei, espalhou o boato de que este estaria ainda vivo, pondo em seu lugar um seu amante. Pois é assim que vejo esta participante. Ouvidos atentos, olhos caídos acompanhando as lágrimas de tanto chorar, boca manhosa, a jogadora vai lançando boatos para lá e pra cá e não tem vergonha de mostrar para todo mundo, inclusive para o público, que o importante para ela é permanecer até ganhar (o AP), Ou seja, chegar entre os dez mais e… nada mais. Planta: Salgueiro-chorão, crescimento rápido, mas de curta duração.

Gabriela – Essa, é uma menina que aparenta menos idade do que realmente tem (acho que 21) trazendo ao reality uma certa perversidade na relação que construiu com um tal de Cowboy com idade de ser seu pai. Parece meio perdida, digo, no jogo, não sei na vida, tão novinha e se lançando de forma ‘ingenuamente’ sensual. Não quero exagerar, não sou pudica, nem pudibunda, nem muito menos crente, nem santa, portanto, não julgo a menina. Se não faz mal ao outro, está tudo bem. Sua participação no jogo, apesar das pinceladas aqui e ali, não modificam em nada o roteiro, uma criança perdida no éden, ou será, no inferno? Planta: Mosquitinho, parece que flutua no ar.

Solange – Não convém deixá-la por último para não pesar o final do texto. É, sem dúvida, uma senhora carga pesada, um pouco no corpo, mas muito mais na mente. Não joga, destila veneno. A vontade que tem é de matar todo mundo para pegar o prêmio, como fez quando impediu a todos de pegar um passarinho que visitava o pátio da casa, que bem podia ser o páreo: “Não peguem o passarinho!! A mãe dele não vai dar mais de comida à ele se vocês pegarem”. Com receio, todos saíram e ela, sozinha, pegou o bichinho. Uma atriz famosa, com uma postura soberba, misturada a um quê de ressentimento na alma. Solange tem a impressão de que está sozinha na casa, mas, pergunto, como poderia ser diferente com aquele ar de ‘cala a boca!!!’ Para todo mundo? … Muito amarga com a vida, principalmente a dos outros, em seu grupo quase mata a vitória-régia; ‘Babu’ que acabou perdendo ponto e saiu do páreo de favorita na competição. Melhor sorte teve o ‘Boneco’ (do mesmo grupo) pelo fato de estar congelado. Planta: Comigo-ninguém-pode, e não pode mesmo, ninguém.

Breno – Um andarilho, um Kung-Fu distribuindo sabedoria ali pelos quartos e gramados da casa em busca do lógico, reconhecimento e, mais óbvio ainda, o prêmio final. Seu vasto e amplo intelecto em sua mente de devaneios filosóficos e teorias não empíricas do “Eu Sou o que Sei’ lhe dava a errada impressão de saber mais que todos ali, achar que nada lhe estava oculto. Breno não soube aproveitar o privilégio de entrar no quarto secreto após um paredão falso. Todos esperavam uma estratégia depois disso, mas…”surpresa? Nenhuma”, afinal era…quem? Ele!! Não precisava de mais nada (para ele). A partir daí se perdeu completamente, pois confirmou para si uma soberania no jogo que na realidade não tinha. Acreditava numa total aprovação e admiração do público, o que lhe fez viajar literalmente na maionese, mesmo estando na Xepa. Seu poder de análise, julgamento, fez com que simplesmente decidisse não se misturar e jogar sozinho?! Mal sabia ele que o verdadeiro motivo é que ninguém o entendia e, se alguém entendia, não via naquilo algum sentido. Mas é admirável sua autoestima de se proclamar um exímio estrategista, pois para ele, tudo deixou de ser apenas um jogo para que se sentisse numa espécie de ‘Missão Secreta’ entre (só) ele e o público…“. Planta: Espada de São Jorge, necessita de claridade para não sucumbir ao mundo da lua.

Marciele – ‘a cunhã poranga do boi caprichoso, ou seja, a moça mais bonita da aldeia no Festival de Parintins’. Só essas palavras ‘tão raízes’ (que busquei no Google) não precisaria de mais nada a acrescentar. Moça bonita, forte, raízes troncudas, planta suculenta, tem fama de comedora, traça tudo na mesa, não ganha jogo, mas não perde tempo com besteira. Moça educada na verdade dos bons e saudáveis costumes da gente simples do Norte do nosso país. Mas é uma planta, apesar de forte, tem o problema de que suas raízes troncudas não a deixam se movimentar num mundo de concreto cosmopolita. Planta: Samaúma: ganha em força estrutural e imponência, mas enfrenta fragilidades significativas diante de mudanças climáticas e da ação humana.

Juliano – Para mim é um personagem misterioso, me lembra um Peter Pan, travesso, enigmático e, ao mesmo tempo, consciente, leal. Existe um lado menino, um lado homem, um lado feminino, um lado bobo, um lado analítico, um talento escondido, nem sei por que, afinal ele é conhecido na internet como dançarino. Tem lá seus conflitos existenciais e encontra na Ana Paula a maturidade e a proteção como apoio no jogo, formando uma dupla sensata figurada como mãe e filho. Planta: Lantana Camara amarela, jovial, é um arbusto resistente que atrai borboletas, beleza, liberdade e serve só de forração.

Agora vamos aos jogadores ATIVOS, as PEÇAS que movem o tabuleiro!

Ana Paula – sem querer pender para o seu lado, nem teria por que o fazer, essa personagem merece um destaque por suas características inatas e naturais mostrando imenso talento estratégico. Ana Paula é como aquela professora veterana, expert no assunto, que lida com toda a sorte de alunos, vindos de todos os lugares, sem esquecer o nome e quem está jogando. Dá aula de controle emocional, estratégia, espontaneidade e astúcia. Quer queiram, quer não, ela mostra uma bandeira necessária para enxergarmos, principalmente, a postura firme e forte que uma mulher deve ter diante de uma sociedade preconceituosa e machista. Uma mulher que diz, diante do olhar agressivo do inimigo, obsessivo e raivoso, olhando bem em seus olhos: “ E aí Babu, porque está me olhando assim desse jeito? Eu não tenho medo de homem”. E não tem mesmo, nem de homens, nem de falsos aliados, nem de inimigos. Não tem medo sequer de sair do jogo, apesar de querer lutar, e nem é tanto por necessitar, mas por se sentir necessária para o programa (isso eu até poderia apostar). Abraçou a participante aparentemente mais vulnerável, Milena, por enxergar que, sendo ela novata e de uma origem sofrida, seria um alvo fácil de se atacar. Também pela especial sensibilidade à lealdade, muito importante para ela, uma típica escorpiana. Ana Paula é, simplesmente, uma pessoa inspiradora, eu mesma aprendi algumas coisas com ela. Elegante, simples, inteligente, audaciosa, ela é pronta para o jogo. Peça do Xadrez: O Rei, é sem dúvida alguma o alvo a que todos almejam dar o xeque-mate e tirar do jogo, mas que, se sair, o jogo termina.

Jonas – o bonitão, o fortão, o imbatível nas provas de liderança, mas que, mesmo com essa enorme e constante vantagem, como líder, mostra que, efetivamente, a Ana Paula está, mais uma vez, certa, pois ele, assim como seus comparsas, parece não conseguir avançar a quinta série. Mesmo com seus quase quarenta anos e as vantagens de ser líder, não consegue montar uma única estratégia. Portanto, se não tivesses a habilidade e treinamentos físicos para vencer as provas, seria mais uma planta ali pela casa, nesse caso, bastante ornamental. Bate cabeça por não compreender porque sua avaliação como líder é sempre tão baixa, mas é um rapaz que transparece ser educado, gentil, só precisa amadurecer e mudar a engessada mentalidade machista, muito comum na galera masculina que cultua o físico, de que, no jogo: ‘homem e mulher’, o que bate em Chico, não bate em Francisca. Prova disso é que não favorece em nada as suas colegas de quarto e parceiras de equipe, muito pelo contrário, é capaz de usar e descartar uma, duas ou três delas sem lhes dever nenhuma explicação, muito menos continuidade, porque o seu interesse é fugaz, termina da noite para o dia. Peça do jogo: A Torre – se movimenta apenas em duas direções, vencer a prova do líder e ir para a academia.

Alberto – O Cowboy, é mais um que dança a mesma música do Jonas, mas de um jeito mais rústico, sertanejo, meninas para cá, meninos para lá, como numa quadrilha de festa junina. É, para ele, muito bom ter as mais bonitas mulheres no seu time. Mostra o poder que tem. Seu raciocínio funciona como aquele anúncio de automóvel que mostra que além da potência dos cavalos, de brinde, tem uma mulher bonita orbitando ao lado. Não suporta Ana Paula, seu principal alvo, justamente por isso, pois ela foge completamente àquilo que estima numa mulher, a fragilidade, a beleza e o silêncio, nada mais que isso, pois não lhes dá nenhum poder de decisão. Por isso, sem o menor escrúpulo a enfrenta: “Seu mastro deve estar com vergonha da bandeira” e ninguém percebe que isso quer dizer muito mais do que ele tenta disfarçar. É, como diz Freud, um verdadeiro chiste. Cowboy é um jogador que, assim como Jonas, não sabe utilizar as vantagens da liderança de sua equipe, mas por razão ainda pior, pois, apesar de montar estratégias, tem a visão totalmente errada do jogo, muito similar à afinação da sua voz quando canta. Peça do Jogo: O Cavalo, que, obvio, tem a natural tendência de dar patadas e, quando não consegue, contrata. A sua direção é de tal forma confusa, que quando pensa dar dois passos para a frente, está em seguida dando um pr’o lado e custa a avançar.

Milena – Gostem ou não dela, pois é do tipo, amem ou odeiem, é única. Ela movimenta grande parte do jogo. Sempre atenta a tudo e a todos, percebe as nuances, se adianta, ataca, se esgueira sorrateira, foge e volta de novo, é incessante. Tem a ansiedade inerente do TOC, e recentemente assumiu ser bipolar. Se coloca como aliada de Ana Paula que a conseguiu perceber e ajudar, principalmente quanto aos seus impulsos de subserviência e agressividade. Sua personalidade é tão forte que ninguém a domina. Seu controle no jogo vai do fato de que sofrimento não lhe faz sequer cosquinha, só chora quando está com raiva, mas se perder, se mantém tranquila. Se disputar nas provas, vai com vontade e esperteza, só não tem resistência quando é para ficar parada. Ligeira, vai se esgueirando pelos cômodos pondo pilha nos machos que tem nela o inverso da linha. Eles nem sabe como lidar com tamanho enfrentamento da menina. Peça do Jogo: A Rainha, que, ao lado do Rei, lhe dá cobertura, por mais que este seja forte o suficiente e valor superior no jogo, o que pode também lhe causar espelhamento e pensamentos competitivos.

Jordana – Não é planta, apesar de não conseguir articular, pois está no time dos machos alfa. Uma mulher que se cuida e se prioriza, o que lhe dá ânimo para jogar, mesmo quando se sente perdida. ” Que se dane, eu vou jogar, vou pra festa, vou me divertir! ” Essa frase aumentou sua moral no jogo, e até isso Ana Paula viu, tentou salvá-la do paredão, mas ela ainda pertence ao padrão que precisa estar perto de quem as admira e, assim, se desvaloriza. Um dia ela desperta e sai, mas pode perder uma aliada, amiga, pois quando uma mulher não protege a outra, fica ainda mais submissa. Peça do jogo: O bispo, vai deslizando suave e perfumada pela diagonal para chegar aos seus ângulos, mas se limita.

Um Reality caricato da vida real.

Vamos ver quem vence no final!

Kawer

1 comentário em “BBB26 Uma Casa, as Peças e as Plantas”

  1. nossa ADOREI !!!! ME DEU MUITA VONTADE DE ASSISTIR PELA FESCRICAO INTELIGENTE E SENSIVEL DA AUTORA QUE ESCREVEU ESSA CRONICA SOBRE BBB26
    PARABENS , PRECISAVA DR MAIS DIVULGACAO DESSA GENIAL ESCRITORA

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