A peixaria estava concorrida. Pacientemente, cada um dos clientes aguardava a sua vez já de olho no peixe.
“– Estão fresquinhas?” pergunta a senhora, apontando com o dedo para dentro do grande recipiente de plástico branco e de onde as sardinhas se deixavam entrever prateadas e luminosas realçadas em meio ao gelo picado.
O funcionário atesta que sim acenando com a cabeça em um único movimento vertical.
É imperioso dizer que a peixaria fazia parte de um setor dentro de um supermercado, que, por sua vez, se situava num shopping, dentro de uma região turística de Portugal e, por fim, que também era fim de semana de verão. Tudo isso para dar mais autenticidade ao cenário que mais parecia de uma grande feira de rua, afolada de gente.
“- Está bem, então, vou levar dois quilos!”
“– O mesmo para mim, se faz favor ! – sim, falamos de Portugal.
E assim, sucessivamente, cada um ia fazendo seu pedido onde a sardinha era notadamente a categoria mais cotada do dia, apesar de não ser a única. O recipiente branco, apoiado na bancada que se inclinava para os clientes, ia ficando cada vez mais branco à medida que o gelo avançava o espaço da sardinha. Esqueci-me de acrescentar, no parágrafo inicial, que estávamos perto da hora do almoço, hora em que o estômago começa a dar sinais de alarme e qualquer desejo passa a ser motivo de disputa.
Aguardava minha vez conforme a ética manda, desmerecendo o uso rudimentar de senhas ou filas, quando, de repente, um homem se aventura, dá um passo à frente e dispara:
“- reserve essas para mim se faz favor” e estava se referindo às últimas sardinhas do tabuleiro.
A lógica e o bom senso se agitaram em minha mente se incomodando com o imprevisto e, racional e educadamente, advirti ao senhor:
“- senhor, ainda não é a sua vez..”
” – sim, mas estou a pedir apenas para quando chegar minha vez”
🛑 Conteúdo exclusivo para assinantes
Este post está disponível na íntegra apenas para membros cadastrados.
🔗 Clique aqui para fazer login ou criar sua conta.