A Cozinha: O Talher da Cultura

Nascemos com a incumbência de nos alimentar, manter nossos corpos firmes enquanto atravessamos o tempo que nos é destinado viver, pois é causa quase obrigatória, moral e até religiosa, não abreviá-la. O alimento é, por isso mesmo, essência vital para todos nós. Mas nossa relação com o que ingerimos vai muito além de um simples ato de sobrevivência. Ela dita extraordinárias nuances de domínio de nós mesmos e do que desejamos para nós.

Da alimentação calorosa no seio materno, que assegura um princípio igualitário para todos, seguimos por caminhos que muitas vezes não escolhemos, distintos pela nossa formação, condições sócio-econômicas, físicas e culturais em que estamos inseridos.

Temos, hoje, disponível, uma diversificada gama de alimentos além de um grande arsenal de serviços girando ao seu redor. Um mundo que se tornou insustentável pelo cultivo exagerado, comercial e repleto de agrotóxicos, hormônios e outros elementos químicos. O mundo se tornou insustentável tamanha é a voracidade em que os humanos transformaram nossas fontes limpas de alimento, de latente energia em fonte apenas de riqueza e grandes negócios. A alimentação foi, com o tempo, sendo covardemente adulterada à bel prazer dos investimentos de consumo esquecendo-se de manter o ecossistema natural cuja meta seria nos trazer saúde e energia. Infelizmente, hoje, eles podem até nos adoecer ou, como venenos, nos matar.

Li recentemente um artigo interessante em um Blog sobre Cultura Gastronômica onde cita Sophie Bessis, uma famosa historiadora tunisiana, que declara:

“Diz-me o que comes e direi que Deus adoras, sob qual latitude vives, de qual cultura nasceste, e em qual grupo social te incluis.”

A comida que preparamos dita parte da nossa personalidade, não só a individual, mas também àquela coletiva. Definirá o meio em que vivemos, nossa cultura, nosso estado de saúde, nossa longevidade, espiritualidade, inteligência, entre tantas outras coisas. É na escolha do alimento diário, nos rituais desde a colheita à compra no mercado, passando, principalmente, ao modo de preparo, como ele é exposto e servido, como as pessoas se sentam e se posicionam em torno dele, como o degustam e até os tallheres que usam que irá determinar muito de nós e de nossa vida, além do destino.

A evolução da culinária, sua diversidade ao redor de nosso planeta, deriva de um conjunto de influências, desde sociais, econômicas, climáticas, culturais, religiosas e até aquelas casuais que dependem do momento histórico que determinados locais vivenciam, tudo isso são flagrantes de um processo contínuo que passa de geração à geração ao longo da história.

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18 comentários em “A Cozinha: O Talher da Cultura”

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