“– Calei total! ” Segue-se alguns minutos de silêncio, apenas o som da respiração… ” – e pelo que vejo, você também. Não vai dizer nada? “
– Sobre o que?
– Já disse que agora ficarei calada…
– Hum….
– ‘Hum’ o quê?
– Nada!
– Você está estranho…
– Não é nada! É por que se você não fala o que é, não sei o que dizer.
– Estou cansada disso, de você não se abrir, por isso me calo.
– Não entendi…
– Se tem algo para falar, fale.
Outro momento de silêncio e, sem mais saber o que dizer, o outro rebate:
– Prefiro ficar calado, assim como você.
– Certo, você é que sabe!
E os minutos a partir daí já pareciam eternos, porém finitos.
– Sendo assim, acho melhor ficarmos por aqui.
– Era sobre isso? Era esse o assunto? …
E não veio resposta.
Não era esse o assunto. E ninguém, nem mesmo eles, conseguiu saber qual era. Mas acabou por se transformar num fim. Afinal, quando não se consegue manter uma conversa em silêncio que é uma habilidade para poucas almas unidas, é porque já não há muito que possa fazer sentido.
É que o silêncio diz tanto que só não diz quando não há mais nada a dizer.
Logo, depois, foram cada um para um lado…sem despedidas.
Talvez tenha sido melhor assim.
Kawer