A inspiração é um caroço. Uma vez que é cuspido na terra pode dar fruto. Por vezes, demora, mas dá, é quase certo. A diferença pode só estar entre a banana que dá no mato e a cereja que é difícil de cultivar…
Fato é que um fruto maduro acaba por inspirar outros. Aconteceu com Newton que de uma maçã se inspirou em a estudar. Depende da mão, da técnica, pois é muito importante saber afofar o terreno, ajeitar o caroço para que ele não voe ao vento.
Então, se você, assim como eu, não sabe onde exatamente cuspir seu caroço, saiba que você já é um artista neste mundo, vivendo do que não se sabe, mas ainda assim com possibilidades infinitas de inspirar terceiros.
Só não se pode deixar que a semente seque, sem serventia, perdida no assoalho da cozinha, ou no lixo da sua casa, sem chance de germinar. Mesmo que o terreno seja árido, tudo é possível quando se tem uma semente, pois, até um cacto, espinhento, solitário tem seu lugar.

… O Folhetim, brotou na história sem nenhum registro em minha memória que o pudesse fazer vir à tona, naturalmente, foi necessário observar o fruto alheio, ter contato com a sua semente para que que eu escolhesse plantar. Quando tive acesso ao trabalho de um escritor americano dos anos 70 que usava o folhetim em um jornal da Califórnia foquei mesmo foi na sua semente, sua técnica, a qual peço licença de experimentar, seja como um exercício de escrita, um ensaio ou pura distração mesmo, em diferente tempo e lugar.

No rodapé de um jornal, passeando por fotos e novelas, pretendo resgatar, fazer voltar o folhetim, aqui e agora, em capítulos, neste Blog, Como as sementes, crônicas de antigamente, em rodapés, é aqui que vou cuspir meu caroço. Não há como publicar, vou esperar a curiosidade de alguns aventureiros que aqui, neste Blog, venham calhar. Se a semente vingar, terão sido eles pegos, docemente, quais moscas no açúcar, sem nenhum sacrifício ou dor.
Pois uma coisa é a inspiração,
outra é a “boa mão”,
mas a terceira, nos foge completamente, que é o sabor da fruta…